Resumo:
- O Dragão e o Feiticeiro (Dragonslayer) foi lançado em 1981
- Produção fez pouco sucesso no mundo e mal se pagou, apesar de produzido pela Disney e Paramount.
- Mesmo assim é uma produção cheia de razões para ser revista e que influenciou histórias como Game of Thrones.
O Dragão e o Feiticeiro (Dragonslayer) talvez seja um destes casos em que o tempo é o senhor da razão. Em 1981, Zico & cia. conquistavam o Mundial Interclubes pelo Flamengo em Tóquio, o Brasil ainda era uma ditadura militar e a Disney coproduzia com a Paramount e lançava o que talvez seja o seu filme mais adulto. E por que se fala tão pouco dele?
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Protagonizado por um jovem Peter MacNicol (Ally McBeal) como Galen, um jovem aprendiz de feiticeiro que empunha uma espada e escudo na missão de derrotar o temível dragão Vermithrax, que se tornou uma influência tão marcante que inspirou os dragões de Game of Thrones e House of the Dragon mais de 30 anos depois. Não é pouco.
A trama até parece simples, mas O Dragão e o Feiticeiro surpreende: No século VI, o Reino de Urland às margens do rio Ur é aterrorizado por Vermithrax, um dragão de 400 anos que exige virgens em sorteio duas vezes ao ano para ser apaziguado. Uma expedição liderada por Valerian busca o feiticeiro Ulrich de Cragganmore (Ralph Richardson), mas o encontra morto. Seu aprendiz Galen Bradwarden recebe a missão de salvar a princesa Elspeth (Chloe Salaman) do rei.
Tudo envelheceu bem no filme e não foram só os efeitos especiais da Industrial Light & Magic. Valerian se apresenta como um jovem, mas na verdade é uma moça interpretada por Caitlin Clarke. A descoberta é feita por Galen em uma cena de nudez e lago, que deixaria Branca de Neve vermelha de vergonha. As partes erógenas de MacNichol também aparecem no filme, o que é bem incomum em filmes estadunidenses. Obviamente, a versão exibida no Disney Channel corta esta parte.
O Dragão e o Feiticeiro ainda possui outras viradas de roteiro interessantes como a descoberta que o sorteio é uma farsa para proteger a princesa (que ao descobrir se coloca como o próximo sacrifício devido a culpa) e que as virgens não eram para Vermithrax, mas para… Suas crias!
Se o romance de Galen e Valerian parecia inevitável, O Dragão e o Feiticeiro termina como uma grande alegoria do fim da era da magia e do paganismo e a chegada do cristianismo e a vindoura idade das trevas. É curioso que naquele mesmo ano, Excalibur terminasse de forma semelhante.
Curiosidades de O Dragão e o Feiticeiro
De acordo com o IMDB, certo George R.R. Martin elegeu Vermithrax como o grande dragão dos cinemas e reutilizou seu nome em seu próprio universo. Guillermo de Toro também elegeu Vermithrax como um de seus dragões favoritos.
Os efeitos especiais custaram 25% do orçamento. A Industrial Lights & Magic usou pela primeira vez a técnica Go-Motion, variante da Stop-Motion e só conseguiu concluir o trabalho entre as filmagens de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Já a excelente trilha sonora foi composta com as sobras que Alex North tinha de seu trabalho em um certo 2001: Uma Odisseia no Espaço.
Por último, há rumores que Peter MacNicol sente vergonha deste filme e não costuma citar quando fala de sua carreira.
O filme custou 18 milhões de dólares, mas arrecadou apenas 14 milhões de dólares, o que o tornou pouco bem-sucedido comercialmente. Porém, com o tempo e a passagem para o VHS, se tornou uma produção cult. As cenas de nudez e o preconceito com o gênero fantasia na época podem ter prejudicado uma história tão boa, mas felizmente o tempo o colocou onde merece.
Confira o trailer do filme:


