Por que um professor de ciências do primário seria a última esperança de salvar a Terra? É o que Devoradores de Estrelas (Hail Mary), filme estrelado por Ryan Gosling (Barbie) e que adapta o romance Hail Mary Project de Andy Weir, quer contar. No filme, um fenômeno astrofísico promete mudar o sol para sempre e toda esperança recai em Grace (Gosling) após uma série de inacreditáveis circunstâncias envolvendo a cientista-chefe do projeto Hail Mary Eva Stratt, interpretada por Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda).
O filme consegue se estabelecer como uma espécie de Interestelar bem menos científico e pop, mas sem apelar para a desonestidade. Apesar de passar batido por questões como o aprendizado de línguas alienígenas ou a falta de treinamento para alguém ser um astronauta, Devoradores de Estrelas consegue trazer ciência o suficiente para respeitar o livro – Weir parece ser a grande fonte da vez já que Diários de um Robô-Assassino também adapta uma série de seus livros – e trazer humor e dramalhão o bastante para que possa ser chamado de um filme-pipoca. Na saída do cinema, o grupo com que fui assistir discutia se o filme não seria uma comédia, mas acho que se trata de uma ficção científica honestíssima.
Gosling tem perseguido uma carreira respeitável depois de faturar o Oscar por Lalaland. Apesar de Agente Oculto ter sido abaixo da expectativa, ele provou ser um ótimo Ken em Barbie e agora convence em um filme que atua praticamente sozinho na maior parte de tempo da tela. Deve ser a primeira vez que ele interpreta o arquétipo do cientista-nerd-loser, mas valeu a pena esperar. Devoradores de Estrelas pode lhe render até uma nova indicação, quem sabe?
Nota: 8
Confira o trailer de Devoradores de Estrelas:


