Monstress, Vol. 1: O Despertar – Monstress, Vol. 1: Awakening

Sabe aqueles livros que você resolver ler por causa da capa? A Graphic Novel Monstress se encaixa perfeitamente nesse quesito.

SPOILER FREE

Mas não só de beleza gráfica, feitas pelas mãos da japonesa Sana Takeda, vive Monstress, visto que foi a HQ mais vendida de 2016 e ganhou o prêmio Hugo de 2017 e 2018 para melhor História Gráfica. Em 2018 ganhou também o Hugo de melhor arte. Foi indicado por 3 anos consecutivos ao prêmio Eisner de quadrinhos, levando os prêmios em 2018, além de levar o British Fantasy Award de 2016. É muito prêmio para se ignorar.

A autora americana, Marjorie M Liu, que já foi responsável por diversos títulos da Marvel, ganhando alguns outros prêmios nesse caminho, traz uma história original, passada num mundo de fantasia onde temos uma sociedade matriarcal com um jeitão steampunk. Nesse mundo existem 3 raças de seres, os humanos, os antigos (quase deuses, com poderes e imortais) e os arcãnos, que são híbridos dos dois primeiros. Os arcãnos e os humanos entraram em guerra, que terminou com uma trégua, porém os arcãnos são escravizados em territórios humanos e utilizados para a fabricação de uma substância com faculdades quase mágicas. A história é contada do ponto de vista de Maika Halfwolf, uma arcãna em caça de algo do seu passado, mas que por ser uma arcãna, também é caçada.

A arte é simplesmente maravilhosa. Fazia muito tempo que eu não via uma Graphic Novel tão bonita. A inspiração em mangás é bastante óbvia, mas a ilustradora acaba fazendo uso de muitos elementos diferentes, como a Art Nouveau, e os desenhos são incrivelmente ricos em detalhes.

A história anda bem rápido e é cheia de ação, porém o primeiro volume é meio confuso. Demora um bocado até você se localizar melhor entre as diversas personagens (quase todas mulheres, coisa linda!) e o que está acontecendo e porquê. As explicações teóricas dos gatos nos finais dos capítulos ajudam e são simplesmente fofas. Eu não falei dos gatos?

Então, gatos. Tem muitos gatos na história e eles são quase que uma raça a parte. Melhor, eles realmente são uma raça a parte e tem toda uma história própria, com direito a uma sociedade autônoma com sua própria deusa. Como não amar?

É tanta personagem interessante que é difícil ser concisa, mas o fato de todas as personagens com um mínimo de importância serem femininas chama atenção. Personagens masculinos aqui ou são secundários ou não são humanoides, e mesmo assim são a minoria da minoria. Nem os soldados são homens, nem os sacerdotes… tuuuudo mulher. Eu gostaria de poder dizer que demorei a notar isso, mas infelizmente não seria verdade, entretanto, posso dizer que me deu o maior gosto de ler algo assim.

A edição brasileira de Monstress, vol 1: O Despertar (reúne os seis primeiros capítulos da história) foi publicada pela Pixel no início de 2018, vale a pena correr atrás de um exemplar. Ainda não há previsão para a publicação do segundo volume, infelizmente. Lá fora o terceiro volume com 6 capítulos foi publicado em setembro de 2018.

Nota 9,5.

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