O volume 1 da penúltima temporada de Stranger Things já mostrava que a série estava perdendo fôlego. A Netflix decidiu dobrar a apostar e encerrar a série dividindo não apenas em dois volumes, mas ainda reservando um capítulo final de intermináveis duas horas. Se você conseguiu assistir e ainda veio aqui ler esta crítica, meus parabéns! Você é da resistência.
Finalmente, chegamos ao desfecho em que Vecna (Jamie Campbell Bower) tenta usar a força das espírito-mental/chi/midchlorian das crianças de Hawkins para trazer o Mundo Invertido para esta realidade e dragar toda a Terra. No decorrer do episódio, descobrimos finalmente quem era o cientista que Henry/Vecna assassinou e sua relação com seus poderes, qual o plano de Eleven (Millie Bobbie Brown) e Kali (Linnea Berthelsen) que deixa Jim Hopper (David Harbour).
Os dois volumes e o episódio final são repletos de diálogos enormes para explicar uma trama complicadíssima e cheia de leis e regras científicas que Stranger Things nunca se preocupou em explicar. Teria sido interessante que uma das temporadas fosse sobre a mente de Vecna ou sobre a física do Mundo Invertido. Mas ao invés disso temos Dustin (Gaten Matarazzo) e Maya (Robin Buckley) e outros do elenco descobrindo a resposta com teses científicas que deixariam Albert Einstein e Reed Richards repensando suas carreiras científicas. É decepcionante.
A série se encaminha para o final com alguma ação e a inevitável destruição de Vecna, cujo desfecho tem o mérito de não deixar nenhuma dúvida de seu nível de maldade. Infelizmente, a forma como a série encontra para dar um final feliz a Eleven é deixar o espectador bater palmas se acredita em fadas ou no processo imigratório para a Islândia. Geralmente, uma opção pouco corajosa para histórias. A impressão é que entre uma solução realista e um final feliz, a Netflix tentou agradar a todos e, provavelmente, deixou todo mundo bem irritado.

Nas últimas cenas, não sabemos se estamos vendo Stranger Things ou Dawson’s Creek com os personagens adolescentes-que-cresceram (interpretados por adultos) debatendo os clichês da vida adulta e as crianças-que-cresceram (interpretadas por jovens adultos). A mensagem só não é mais óbvia do que tediosa: todos são jovens normais, gente boa etc. Se tem um jeito da gente ficar feliz com o fato da série estar acabando, é esse tipo de coisa.
A impressão é que a Netflix esticou demais seu maior sucesso. Stranger Things foi uma série querida, mas banalizada pela plataforma de streaming. Talvez se terminasse entre a terceira e a quarta temporada, a sensação seria melhor e até um spin-off ou sequência agradaria.
Com o que tivemos, fica a torcida para que Hawkins fique em paz para sempre porque nunca mais queremos voltar para lá. E é uma pena. Stranger Things não merecia isso.
Nota: 3


