Os vivos e os mortos

A estreia, no próximo domingo, da nova temporada de Game of Thrones marca a reta final desta história que há alguns anos mexe com a imaginação de milhões de pessoas em todo o mundo. Esse é um fenômeno que vem marcando profundamente a cultura mundial seja pelas polêmicas, seja pela aproximação política e social com fatos da realidade.

Com o longo intervalo entre uma temporada e outra, vale a pena relembrar os principais elementos da trama em andamento e quais as perspectivas. Atenção, daqui em diante, muitos spoilers. Vá direto ao parágrafo “final de spoilers” se não quiser ler.

O foco da narrativa nos últimos episódios foi a constituição da aliança entre Jon Snow e Daenerys Targaryen. O Rei do Norte e a Rainha dos Dragões, apesar da incredulidade inicial desta, no final das contas engataram uma aliança (e um romance) para a grande guerra que se aproxima. Em sua busca por aliados, conseguiram convencer Jaime, que, ao que tudo indica, deve liderar uma facção rebelde do exército Lannister. Sua irmã Cersei, rainha em exercício, prefere ver todos os demais exércitos morrerem do que combater a grande ameaça que vem do extremo norte.

E que grande ameaça é essa? As mesmas que foram apresentadas nos primeiros minutos da série, anos atrás. O Rei da Noite, seus “irmãos” (ou o que quer que sejam) e o mar de mortos por eles ressuscitados. Não importa quem tenha morrido – soldados das mais variadas regiões, selvagens ou outras criaturas – todos agora fazem parte do exército que avança com o inverno para o sul, inclusive um dos dragões ressuscitados de Daenerys. No final da última temporada, a muralha que separava os mortos dos vivos veio abaixo e o exército do Rei da Noite seguiu em seu avanço.

Um elemento da narrativa que deve ser explorado e que deve causa tensões é sobre a origem de Jon. Tendo crescido como um bastardo, confirmado no final da última temporada que na verdade ele é filho de uma Stark (família que o criou) com um Targaryen, o que faz dele um dos herdeiros legítimos do Trono de Ferro. Ele seria a síntese do gelo e fogo. E, também, sobrinho de Daenerys.

Como Daenerys, que se mostrou bastante sedenta pelo poder ao longo de muitas temporadas, vai reagir à descoberta de um último familiar vivo, é algo que logo descobriremos. E como isso vai impactar na sua aliança com Winterfell é um dos principais elementos da narrativa. A tendência é que, apesar de possíveis tensões, isso não vai afetar a aliança, considerando principalmente que Jon Snow não tem qualquer ambição em relação ao trono.

Final dos spoilers!

A série caminha em grande medida para um final feliz, possivelmente com mais algumas mortes marcantes, mas principalmente com a vitória dos vivos contra os mortos e a derrubada de Cersei Lannister como rainha. Será? Há muitos indícios de uma modernização econômica, ainda inicial e reduzida a algumas regiões, mas isso deve ser o impulsionador de uma nova organização política.

Ainda que a série venha a ter outros programas derivados, foi Game of Thrones que durante tantos entreteve, emocionou e até mesmo irritou milhões de pessoas que, em meio a tantas fantasias e acontecimentos mirabolantes, se identificou com aquelas histórias e com muitos de seus personagens. O recado final da série deve ser a necessidade de vitória dos oprimidos, com todas as contradições e dilemas que possam aí estar envolvidos. O tão anunciado inverno chegou, e queremos ver tudo o que ele trará consigo.

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