A amiga genial – Série Napolitana #1

Hoje de manhã Rino me ligou, pensei que ele quisesse mais dinheiro e me preparei para negar. No entanto o motivo da chamada era outro: a mãe dele tinha desaparecido.
“Desde quando?”
“Faz duas semanas.”
“E só agora você me liga?”
O tom deve ter parecido hostil, embora eu não estivesse chateada ou indignada, era apenas uma ponta de sarcasmo. Ele tentou contestar, mas de modo confuso, embaraçado, misturando o dialeto com o italiano. Disse que tinha certeza de que a mãe estava passeando em Nápoles, como de costume.

SPOILER FREE

Ler esse livro foi uma experiência interessante por diversos motivos. O primeiro e melhor deles é que o livro é muito bom e extremamente bem escrito, que é o melhor motivo para se ler um livro. Um segundo motivo é por ser literatura italiana e feminina, que nem sempre encontramos fora do círculo dos autores homens intelectuais mais comumente disponíveis fora da Itália. O terceiro motivo é que achei sensacional o fato de ninguém saber com certeza quem é a autora, Elena Ferrante, visto que ela escreve com pseudônimo. E por fim, li o livro num Kindle emprestado, o que foi uma experiência muito interessante.

A história se desenrola na verdade ao longo de quatro livros da Série Napolitana, e “A amiga genial” é apenas o primeiro deles. A ideia é apresentar do ponto de vista de Elena Greco (só não tem o mesmo sobrenome da autora), uma senhora já de idade, escritora, a história de sua amizade com Lila (chamada assim só por ela, os demais a chamam de Lina). É uma história absolutamente feminina, que trata de questões femininas, relacionamentos femininos e mudanças sociais relacionadas especialmente à mulher, num espaço temporal que vai desde os anos 50 até o século XXI.

Nesse primeiro livro, a história cobre a infância e adolescência das duas amigas, com diversas questões sociais e financeiras interessantes e o que se esperava das mulheres naquela época. E como uma decisão bastante arbitrária distanciou para sempre o destino das duas meninas.

Nesse sentido, uma das coisas que mais me encantaram na narrativa de Elena Ferrante é a absoluta franqueza, num retrato extremamente humano, no sentido de abarcar sentimentos conflitantes e nem sempre nobres. Um verdadeiro exercício de literatura de qualidade.

E a história é interessante, com diversas reviravoltas e personagens cativantes. Não é só literatura por literatura. Fascinante!

Fiquei tão animada que confesso que já li todos os quatro livros. Aguardem as resenhas! Só vou adiantar que o primeiro é o mais lento de todos os livros, se esse já o bom, os seguintes são ainda melhores!

Nota 9.

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