The Old Guard 2 foi um dos filmes mais esperados na Netflix desde o sucesso do primeiro. Vale lembrar que o cânone da história estabelecia um grupo de imortais que lutam por causas que acreditassem nos últimos séculos. A jornada de Andie (Charlize Theron) contrastava com a busca por Nile (Kiki Layne), uma militar que descobria fazer parte deste grupo ao morrer pela primeira vez.
Aquela história terminava com um traidor entre a Velha Guarda sendo exilado, Nile entrando na equipe e Andie descobrindo que não era mais imortal. Ao mesmo tempo, o grande gancho para a continuação era o ressurgimento de Quỳnh (Ngô Thanh Vân), antiga companheira de Andrômaca e que passara séculos no fundo do mar morrendo e ressuscitando. Andie compartilhava sua dor e loucura recorrentemente, mas aparentemente nunca teve ciência que sua amiga finalmente escapara.
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Em algum momento os produtores de The Old Guard 2 deixaram Quỳnh de lado para a entrada de Discord (sim, é sério. Este é o nome da personagem de Uma Thurman). Uma vira aliada ou funcionária da outra e resolvem destruir a humanidade para vingar seu sofrimento. Ou outra coisa misteriosa. Então tá bom.
Andie ainda tenta se adaptar à sua nova condição, mas segue sendo uma guerreiro com alguns milênios de experiência, o que lhe dá uma grande vantagem na ação mas não explica como ela sobrevive a tantos tiroteios. No fim das contas, The Old Guard 2 parece deixar a historia de lado e ser uma grande desculpa para (re)vermos Uma Thurman com uma katana, como em Kill Bill.
A diretora Victoria Mahoney substitui Gina Prince-Bythewood (Mulher Rei) e talvez seja um dos motivos desta sequência ser tão decepcionante. Com um uso excessivo de computação gráfica em cenas de ação e para rejuvenescer atores e um roteiro que parece mais preocupado com os personagens do que com o enredo. The Old Guard 2 tenta ser generoso com o elenco dando espaço para todos brilharem. Mas é como se fossem várias esquetes de ação sem uma história que acrescente algo à mitologia da franquia.
Quando achamos que teremos, finalmente, uma conclusão… Surpresa! Um gancho para The Old Guard 3! Na era em que tudo no cinema precisa virar franquia, parece que é a única coisa que este filme se preocupa: abrir espaço para uma trilogia. É pouco. Muito pouco. Especialmente quando lembramos o impacto do primeiro filme.

O filme não inova muito ao evitar resolver seus conflitos com ação dramática, mas simplesmente com o que o roteiro parece mais confortável em usar. Assinado por Greg Rucka (autor da graphic novel que originou os filmes), Sarah L. Walker e Leandro Fernandez , que escreveu The Old Guard), o script cria uma nova regra apresentada quase em um power point sobre como uma imortal-que-perdeu-a-imortalidade pode recuperar sua condição original. Chega a ser simplório e um retcon descarado. Os personagens também não falam sobre momentos do passado (há apenas um flashback criado por computação gráfica envolvendo a protagonista).
O mesmo roteiro faz de Quỳnh uma mera coadjuvante ao invés de uma imortal cheia de fúria e loucura. Com muito ressentimento, a personagem parece mais uma amiga ciumenta e ressentida do que um ser cheio de poder que passou por uma agonia incomensurável por séculos. É até curioso que no final Discord diga que a tortura lhe dará o que quer de outros imortais quando, aparentemente, as consequências psicológicas para Quỳnh foram poucas.
Charlize Theron até se salva do fracasso, mas sua estrela não é o suficiente para salvar o filme. A presença de Uma Thurman seria um forte chamariz, mas até mesmo os cartazes de divulgação dão a impressão que Mahoney ignorou o fato que a atriz empunhando uma katana evocaria outra franquia. Fica a torcida para que o próximo The Old Guard acrescente alguma coisa ou nos deixe reverenciar o primeiro em paz. Por hora, o melhor elogio que posso fazer é que é uma sequência melhor do que a que Highlander teve.
Nota: 6
Confira o trailer de The Old Guard 2:


