‘Mufasa’ deixa um bocado a desejar

Filme tem boa história, mas não envolve

Em meio a essa onda exaustiva de remakes e releituras em live action e animações fotorrealistas da Disney, Mufasa: O Rei Leão (Mufasa: The Lion King) causou certa expectativa por trazer uma história nova. Mesmo que livros infantis lançados na década de 1990 contassem a origem do pai de Simba, agora teríamos em filme. E com direção do grande Barry Jenkins (The Underground Railroad)! O longa estreou nos cinemas em 19 de dezembro de 2024, onde não teve uma bilheteria muito expressiva. E por fim chegou ao Disney+ no último 26 de março sem muito alarde.

++ Leia também: Pássaro Branco é um bom filme para se ver com jovens

Simba (Donald Glover) e Nala (Beyoncé) estão prestes a aumentar a família, e durante o ritual de nascimento deixam Kiara (Blue Ivy Carter) aos cuidados de Timão (Billy Eichner) e Pumba (Seth Rogen). Mas ela quer uma história, e esta fica por conta de Rafiki (John Kani), que decide lhe contar a origem de tudo. De como seu avô se tornou um grande rei.

Quando o filme começa com a estrondosa voz de James Earl Jones repetindo a icônica fala de Mufasa para Simba sobre os grandes reis do passado estarem guiando-o das estrelas, você se prepara para se emocionar o filme inteiro. Infelizmente, não é isso que acontece. Por mais interessante que a trama do jovem Mufasa (Aaron Pierre) como um órfão acolhido pela família de Scar/Taka (Kelvin Harrison Jr.) pareça num primeiro momento, não chega lá. Você assiste, dá umas risadas, se surpreende em momentos chaves, mas não se sente realmente envolvido como acontece com O Rei Leão.

Talvez o mais interessante de se ver seja a origem do jovem Rafiki (Kagiso Lediga), expulso do bando por conta de seus sonhos proféticos (tidos como algo demoníaco) e “pernas fracas”. Em tempos em que a Disney passa por uma onda de retrocesso, chega a ser surpreendente que o estúdio tenha deixado passar esse plot que pode ser visto como uma crítica a intolerância religiosa e ao capacitismo.

Também temos Sarabi (Tiffany Boone) e Zazu (Preston Nyman), que se juntam ao grupo bem por acaso. Embora seja a partir deles que as coisas começam a tomar os rumos que conhecemos. E o vilão Kiros (Mads Mikkelsen), o líder dos Forasteiros, é um ótimo personagem. Ter um grupo de leões brancos, expulsos de suas alcateias originais por conta da anomalia genética, revoltados querendo o quinhão que lhes foi negado como vilões foi uma boa sacada. Embora leões brancos sejam bastante raros, existindo apenas 13 na natureza atualmente. Mas quem assiste Mufasa: O Rei Leão não está exatamente procurando um documentário da National Geographic, então tudo bem.

Contudo, os leões brancos também são uma referência a infame controvérsia de que O Rei Leão seria um plágio do anime Kimba, o Leão Branco. A acusação veio de fãs da franquia japonesa, alegando que a Disney usou vários elementos do anime e mangá, além do design visual. Até Matthew Broderick, a voz de Simba na animação original, disse que pensou ter sido escalado para um filme de Kimba. Porém, a Tekuza Productions, produtora do Kimba, nunca entrou com uma ação legal apesar de notar as semelhanças.

Mufasa acaba sendo um passatempo pouco empolgante
Filme Mufasa acaba sendo um passatempo pouco empolgante apesar de seus méritos

Infelizmente, as tiradas de Timão e Pumba, que deveriam funcionar como alívio cômico, não foram tão bem-sucedidas. É triste dizer, mas esses dois personagens tão queridos não funcionaram muito nesse filme. Principalmente no que diz respeito a metalinguagem, que foi usada no infame O Rei Leão 3 mas não é uma marca da franquia de forma geral. Talvez deixar Eichner e Rogen sem roteiros, para improvisarem o que bem entendessem, não tenha sido uma boa ideia.

Também é triste dizer que a trilha sonora ficou aquém das expectativas. As composições de Nicholas Britell e Lin-Manuel Miranda são boas, mas não ressoam profundamente. Mesmo quando contam com a tocante voz de Lebo M. É apenas quando ouvimos acordes da trilha original composta por Hans Zimmer, Tim Rice e Elton John que sentimos a emoção que esperávamos.

Curiosamente, é a primeira vez que a sequência de um remake Disney usa elementos de uma sequência lançada diretamente em vídeo e de material extra lançado em livro. Respectivamente, a filhote Kiara de O Rei Leão 2 e Taka, como o nome de nascença de Scar, retirado do conto A Tale of Two Brothers da coleção The Lion King: Six New Adventures. Mesmo que Mufasa: O Rei Leão mostre uma história de origem bem diferente deste último.

Enfim, Mufasa: O Rei Leão tem os elementos certos, mas falha um bocado na execução. Deixando os fãs com sentimento de expectativa frustrada. O filme foi escrito por Jeff Nathanson e dirigido por Barry Jenkins.

Nota: 7

Confira o trailer:

Arquivos

Leia Mais
Quais são os filmes da fase 1 da Marvel?