Com ou sem Oscar, O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, já entrou para a história do Brasil. Primeiro, por entrar na seleta lista de filmes indicados, mas, principalmente, por consolidar a ditadura militar no Brasil como um tema que precisamos explorar sem medo. E talvez isso ainda não seja tudo.
O Agente Secreto é um sucesso não só artístico, mas comercial. Custou pouco e gera muito mais em relação ao reconhecimento internacional que alcançou. É sucesso de bilheteria e crítica para nenhum produtor de Hollywood colocar defeito.
Mendonça tem um histórico de dirigir filmes muito bons e bem baratos, atraindo atrizes e atores para trabalhar com ele e formar público. Mesmo com o governo Bolsonaro jogando contra, Aquarius e Bacurau já mostravam do que ele era capaz.
Desde os tempos da Vera Cruz, o cinema brasileiro tem uma tradição fadada ao fracasso de copiar Hollywood em um cenário tupiniquim. Porém, os melhores momentos da sétima arte no Brasil foram quando exploramos filmes com a cara brasileira, muito criativos e que custassem pouco em relação aos blockbusters estadunidenses.
A fórmula estabeleceu cinemas de países demograficamente menores, mas com muito mais tradição na película, como Argentina e Irã.
Vá ao cinema e leve um amigo para assistir O Agente Secreto. Sem querer, você pode estar ajudando a estabelecer um novo marco para o cinema brasileiro. Ver filme com a cara do brasileiro não precisa ser moda. Mas pode começar a se tornar uma tradição bem querida.


