O sucesso de Peaky Blinders e outras séries que se passam nos anos 20 do último século nos levaram a crer que todo período pós-guerra são somente histórias de homens retornando para casa. Dope Girls é uma prova viva desta inverdade ao trazer uma história dramaticamente palpável e que prende o espectador de mulheres lidando com seus próprios problemas e tentando não morrer assassinadas por homens maus e/ou traumatizados.
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A história de Dope Girls aborda mulheres que se recusam a voltar à vida doméstica após a Primeira Guerra Mundial, encontrando novas oportunidades em boates ilegais. Kate Galloway (Julianne Nicholson), viúva e mãe solteira, decide abrir um cabaré para sustentar sua família, enquanto Violet Davies (Eliza Scanlen), se torna uma das primeiras policiais femininas, infiltrando-se nesses mesmos clubes. A série explora também os conflitos das jovens Billy Cassidy (Umi Myers) e Evie Galloway (Eilidh Fisher) em seu relacionamento com Kate.
Dope Girls conta com três estrelas que impressionam, ora por entrega e ora por talento: a estrela Julianne Nicholson, a “divindade” Umi Myers e Eilidh Fisher, que demonstra mais maturidade cênica do que sua juventude traz. Estas três atrizes roubam a cena tanto em sua participação quanto no fato do enredo trazer uma complexa relação entre elas deixando Eliza Scanlen em certa desvantagem. Faz parte.

Polly Stenham assina a criação da série e alguns dos roteiros em conjunto com Alex Warren, Roanne Bardsley ,Matthew Jacobs Morgan e Marek Kohn. A produção Prime Video pode trazer algum desconforto nos temas que aborda, mas nada é maior do que questionarmos porque demoramos quase cem anos (!) para ver uma história como esta. Nesse sentido, ainda que a direção e as atuações impressionem, Dope Girls faz da sua história e diálogos sua grande força. Um trabalho de uma equipe de escritores genial. Imperdível.
Nota: 10
Confira o trailer de Dope Girls:


