Revivendo um clássico do horror: Suspiria, com Dakota Johnson

Em 2018 foi lançada a refilmagem de um dos maiores clássicos do cinema de horror, o filme Suspiria, do diretor italiano Dario Argento. Essa refilmagem foi bastante aguardada, mais pela adoração proporcionada pela versão clássica do que propriamente pelas expectativas em relação ao novo filme. Embora a produção mais recente não seja nenhuma obra-prima, com acertos e erros, pelo menos cumpriu a tarefa de não desrespeitar o filme clássico.

O principal acerto do diretor Luca Guadagnino foi justamente não tentar imitar o filme original. O roteiro retoma alguns elementos da narrativa, como o grupo de bruxas e a história centrada em uma escola de dança, e alguns das principais personagens, como a protagonista Susie e sua melhor amiga Sara. Partindo disso, cria-se uma narrativa própria, inclusive inserindo o filme no contexto político e social da Alemanha no final da década de 1970. Contudo, encontra-se nesse ponto um dos primeiros erros da narrativa, afinal o conflituoso contexto alemão mostra-se uma moldura completamente sem vínculos com a narrativa principal, desnecessária.

Se no filme original predomina o vermelho, em variados tons e da forma criativa, na refilmagem predomina um tom mais acinzentado, opaco. A produção acaba sendo construída quase todo de forma bastante homogênea, como a mostrar de fato um clima mais fechado, até mesmo sombrio, constituindo-se em um interessante acerto da direção. No entanto, na sequência final, deixa-se de lado essa coerência estética, voltando aos tons avermelhados que lembram o filme clássico, criando um contraste que causa mais estranhamento do que agrada. Essa cena final, em que se mostra um ritual, é construída de forma paulatina ao longo da história – talvez extenso demais -, parecendo ser totalmente incoerente com o conjunto da obra por conta das escolhas estéticas feitas.

Nessa parte do filme, também acaba ficando incoerente com o conjunto a própria interpretação de Dakota Johnson. Embora seus limites sejam bastante conhecidos, em Suspiria a atriz consegue apresentar uma interpretação convincente de uma jovem inexperiente, tímida e que em grande medida está em busca de uma mentora. Na aludida cena final, mostra-se que Susie não era exatamente uma garotinha em busca de rumo e muito menos uma pessoa fraca. Johnson está longe de convencer quando quase repentinamente começa a interpretar uma personagem forte. Não há força em sua interpretação, parecendo muitos mais a garota tímida (que interpretou bem em quase todo o filme) forçando uma personalidade que não tem nada a ver consigo.

No outro oposto está Tilda Swinton, que interpreta mais de um papel, inclusive de um homem. Seu trabalho é realmente impecável, não sendo possível apontar quaisquer possíveis reparos. Sua versatilidade é algo realmente extraordinário, dando ao conjunto da narrativa equilíbrio, ponderação e, quando necessário, um quê de agitação. Nas cenas com Johnson é difícil saber se é a jovem atriz ou a personagem dançarina que olha com admiração extrema para o trabalho impecável de Swinton.

No geral, trata-se de um bom filme, que possui qualidades e defeitos. Uma de suas qualidades talvez seja ter conseguido criar uma personalidade própria e se afastado da obra original. Contudo, ao fazer isso, também são cometidos erros, que mostram escolhas equivocadas e fragilidades de roteiro e de direção.

Nota: 7

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