Em 2019, não devemos ignorar assédio para aceitar talento

Geoffrey Rush é um ator que sempre teve minha admiração. Seja pelo meu trabalho favorito com ele no filme O Discurso do Rei ou até mesmo por papéis que lhe fizera mais famoso como em Piratas do Caribe e Einstein. Esse carinho morreu quando soube do seu comportamento deplorável com uma colega de set anos atrás.

Não foi tão difícil. Aprendi a fazer isso quando vi o vídeo abaixo com Johnny Depp agredindo sua então esposa Amber Heard:

 
O mundo está repleto de momentos em que tergiversarmos em julgar artistas usando seu talento como desculpa para seu comportamento. Deixando de lado casos que nunca tiveram provas e mais parecem um episódio bizarro de Casos de Família, temos evidências reais de gente que não está a altura do seu talento.

E não acho que a gente deva mais deixar isso de lado depois de vermos o #MeToo surgir.

Porque deixar isso de lado, faz com que essas pessoas sigam com suas vidas enquanto as vítimas têm que se virar com os cacos que restaram das suas.  Casey Affleck, por exemplo, ganhou um Oscar depois de um caso em que teria assediado sexualmente e até fisicamente duas mulheres que trabalhavam para ele em um set de filmagem. As duas profissionais seguirão em frente, possivelmente marcadas por um caso em que mereceriam compaixão e empatia ao contraponto da falta de críticas que o ator, diretor e produtor recebeu.

É esse tipo de complacência que levou Harvey Weinstein a ser um voraz assediador de mulheres por anos. Enquanto sua carreira de produtor prosperou por décadas, gente talentosa como Mira Sorvino teve oportunidades negadas que jamais poderá recuperar. Neste ano que começa, vamos guardar nosso carinho para artistas que se esforçam para serem pessoas que respeitem valores básicos da vida em sociedade.

E tratar o resto com o desprezo que merecem.

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